segunda-feira, 24 de novembro de 2008

[o universo...] Reflexão sobre a Percepção de Valor Intrínseco

Resposta ao chamado desesperado de Leandro, dono do blog:
Realmente tenho estado sem tempo algum para compartilhar minhas vivências e conhecimentos com os visitantes desse pacato blog. O ritimo desenfreado da minha vida [Faculdade-Estágio-Namoro-Crise Internacional] não me permite dar a atenção que esse espaço merece. Acredito piamente que com o final do ano se aproximando as coisas se acalmem e possamos pelo menos bolar um layout mais maneiro. Por enquanto fica meu pedido de desculpas e o recorte descarado [compartilhando conhecimento, lembrem-se] de um outro blog que tenho visitado muito ultimamente, o Teoria da Conspiração.


Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô: vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço. O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes? É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos, os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro.

Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.


Extraído de Teoria da Conspiração.

Um comentário:

[ leandro ] disse...

Realmente muito boa a ação do Bell. Mas eu entendo a posição das pessoas. Oras, ele está em um "não lugar" (quem lembra das aulas do português de erogonomia levanta a mão...) Ninguém para pra apreciar a arquitetura ou ver as flores do canteiro na entrada da estação Brigadeiro. As pessoas estão com pressa, tem horário marcado, estão com milhares de problemas na cabeça etc.

Mas aí que entra a arte. Questionando, atrapalhando, fazendo as pessoas pensarem. Essa nossa loucura do dia-a-dia nos faz perder as pequenas belezas da vida.

Sempre quis andar pela cidade de uma forma mais contemplativa, mas confesso que é meio inviável. Primeiro que você será atropelado pelos outros transeuntes que andam mais rápido, você sempre chegará atrasado, provavelmente será roubado, e perderá seu ônibus para casa.

Emfim... espero que um dia isso mude. Espero que a arte consiga mudar alguma coisa.